Foi em 2016 quando me vi ali
jogada na cama, com todos aqueles tremores e dores. Em que não me reconheci depois que tudo aquilo que
estava me acontecendo. A
falta de ar, as dores pelo corpo...
E tudo aquilo ia me
consumindo a cada dia que passava.
Foram cinco quilos em cinco
dias, falta de apetite, só queria dormir e ficar deitada ali em posição fetal,
que era como eu me sentia segura.
Depois de duas semanas de
negação por problema e estresse no trabalho e faculdade, resolvi procurar
ajuda. Primeiro fui com a psicóloga do meu antigo trabalho que ao me analisar e
me ouvir disse que eu não tinha 'motivos' para ter depressão, pois não tinha
filho e marido. Sim, isso na época nem me afetou tanto quanto hoje ao lembrar
desse episódio. O que faz um profissional da aérea que trabalha para saber
lidar com essa situação ter me falado aquilo? Quase quatro anos depois que fui
diagnosticada com crise de ansiedade e depressão ainda não sei a resposta.
Parei de ir trabalhar, entrei
de benefício para poder começar o tratamento em paz, tranquei a faculdade e
depois de idas diárias a emergência me medicar contra supostas causas das
dores, uma médica me encaminhou para o tratamento correto.
A psicóloga cuidou de
mim, me ajudou, e ficou horrorizada com a fala de sua colega de profissão. Já o
psiquiatra.... Disse que eu não tinha mais idade para passar pela situação que
passei.
Não consigo entender o que um
'profissional' leva a dizer o que eu ouvir.
O fato é que depois de dois
meses de tratamento, pedi demissão, pois o ambiente de trabalho poderia me
matar.
A psicóloga do plano de
saúde que me ajudou mais do que os outros dois, me explicou como a depressão
agia nas pessoas, a falta de ar, tontura, falta de apetite entre outras. Mas o
que mais me deixou atenta foi a grau de gravidade que isso ocorre, a falta de
apoio e o que isso pode ocasionar.
Eu tive muita sorte de ter
meus pais e irmã por perto e alguns amigos. Não tive pensamentos suicidas, mas
a vontade de tirar aquela coisa ruim de dentro de nós é maior que tudo.
Lembro que ao tentar pegar
coisas para arrumar na bolsa e ir para o antigo trabalho e ficava andando
várias vezes pela casa até lembrar.... As vezes minha irmã ajudava e uma dessas
vezes foi horrível, eu não consegui lembrar o que queria pegar e ela me ajudou
e só chorei e tentava entender o motivo de não conseguir ter controle das
coisas que era minha rotina.
Assim que comecei o
tratamento com medicação eu tive uma melhora significativa, e não suportava a
ideia de voltar para o trabalho e passar por tudo aquilo outra vez, foi aí que
resolvi largar o emprego e me cuidar.
O alívio que me deu quando
entrei o lugar na empresa e pode respirar aliviada não tem preço. Foi quase ano
de tratamento com medicação, e exercícios de respiração para aliviar as crises
de ansiedade, mudei meus hábitos e procurei por novas formas de viver para
poder ajudar a lutar contra os horrores da depressão.
Busco a cada dia realizar
meus sonhos como maneira de me realizar pessoalmente e vencer a batalha diária
contra as crises.
Mas durante tudo que estar
acontecendo nesse mundo louco em que mais pessoas estão com essa doença
maldita, percebi que poucas empresas se preocupam com a saúde mental dos
funcionários que não tem um apoio que deveria para evitar muitas coisas.
Que as pessoas ainda acham
que a depressão é falta de Deus, ou frescura...
Só parem.... Não julguem,
ajudem.
